Wednesday, November 30, 2005

Celcius

New York, 30 de novembro de 2005: 14 graus. E cadê o frio?

"Papo de Jardim"

Ouve, amiga. Crê nos poetas
Sê poeta, se quiser
Ou malabarista
Não te esqueças demim
Nem dos teus sonhos.
Juro tudo aquilo que lhe convém
Sonha de dia, dorme de noite
Sê feliz o tempo inteiro
Escreve de qualquer forma
Forma tuas idéias. Ri delas.
Desfaz laços mal feitos
Refaz teus caminhos, tuas ondas
Surfa, amiga. Mergulha n' água
Aprende com a humildade do mar
Você está cercada dele
Conversa com teus vizinhos
Deixa as crianças falarem
Perdoa, amiga. Perdoa-me
Se todos estes alarmes verbais
Não ter servirem para nada...

(Poesia escrita pelo meu amigo poeta, Evandro Duarte)

A coisa está russa!

Aqui nos Estados Unidos todos sempre se espantam, após perguntarem se sou russa ou polonesa, quando respondo: Sou brasileira!

Já fui confundida até mesmo pelos nativos. Uma legítima representante da ex-União Soviética, logo ao me ver, perguntou: "Você é russa?". Tá russo!

O dia em que conheci o Ministro Alemão

Não acordei muito animada. Pensei: "será mais um dia caminhando por Manhattan e recebendo 'nãos'". Eis que meu celular toca e me chamam para trabalhar num evento. Legal, me arrumei, comi alguma coisa, tudo a jato, e saí rumo ao metrô.

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Retrospectiva: numa das minhas tentativas de conseguir um emprego, mandei meu currículo para um restaurante de chefes alemães, que organizam eventos para o Consulado Alemão e etc. Na entrevista o cara de nome Von alguma coisa já notou meu sobrenome e acabamos conversando sobre a colonização alemã no Brasil. Minhas origens me ajudaram nessa!
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Cheguei no restaurante suada e super nervosa! Nunca tinha feito nada parecido com aquilo na minha vida. Arrumar mesa, organizar copos, enfim...Well, foi aí que comecei a conversar com uma senhora muito simpática, a senhora 'Mother', como ela me disse para chamá-la. Ela era mesmo a mãe de alguém, mãe do chefe de cozinha, o Von alguma coisa. Uma senhorinha muito sabida e lúcida. Ela virou pra mim e disse: "Olhe, estás tendo uma oportunidade muito interessante aqui hoje. Afinal, não é todos os dias que podemos conhecer um dos novos ministros da Alemanha". Nossa! Já comecei a achar tudo ali mais interessante.

Tudo estava pronto para a chegada do homem. Fotógrafos, todo mundo ansioso e dá-lhe suco de laranja! O mais engraçado é que as pessoas na recepção me pediam tudo em alemão..."sorry, english please!"...hehehe.

Tenho certeza de que o discurso do German Foreign Minister, Frank-Walter Steinmeier, foi muito interessante. Afinal todos bateram palmas no final, inclusive eu. E isso que só entendi três palavras, ditas por ele na língua de meus antepassados: "política, internacional e ministro".

Na terça-feira, 29 de novembro, Steinmeier conversou por mais de uma hora com a Secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, em Washington.

Sunday, November 27, 2005

Arte e Cultura

Metropolitam Museum of Art (www.metmuseum.org) Fifth Ave at 82nd Street
O museu é muito bonito (apesar de que na última vez que fui lá, a fachada estava em reforma e não deu pra ver muito por fora) e tem em sua coleção permanente mais de 6500 peças de arte. Vale mais de uma visita. Um lugar universal, no qual estão reunidas todas as categorias de arte.
Ponto alto: Vincent van Gogh: The Drawings (até 31 de dezembro de 2005)
Interessante: Prague, The Crown of Bohemia, 1347–1437 (até 6 de janeiro de 2006)
Curioso: The Perfect Medium: Photography and the Occult (também até 31 de dezembro de 2005)

American Museum of Natural History (www.amnh.org) Central Park West at 79th Street
No website do Museu eles descrevem o lugar como sendo, por mais de 125 anos, uma das mais importantes instituições de pesquisa e ciência com coleções e exibições que demonstram os milhões de anos de evolução da terra, do seu nascimento até os dias atuais. Um dia não será suficiente para contemplar todo o Museu.
Ponto Alto: Tudo é tão interessante que não consigo escolher apenas uma das áreas para sugestão. Até porque só fui lá uma vez e nao tive tempo de ver tudo. Gostei muito da seção em que estão descritas as diferentes nacionalidades, que mostra as roupas típicas e o meio em que vivem, gostei do imenso salão com todos os tipos de insetos, aranhas, pássaros, enfim, dos animais em tamanho real e da descrição das florestas.
Interessante: O Museu tem exibições especiais que englobam um "passeio" pelo espaço.
Curioso: O Brasil tem seu lugar no AMNH. Aparecem os índios e há informações sobre a Floresta Amazônica.

Ambos têm horários e dias nos quais a entrada é free. Vide site. E jornalistas entram de graça.

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Os próximos da minha lista são o MOMA (www.moma.org), Museum of Modern Art e o Guggenheim Museum (www.guggenheim.org).

O que se faz na Big Apple

- Caminha-se;
- Lê-se jornal;
- Ouve-se música;
- Come-se donuts, mufins e bagels;
- Bebe-se café e cerveja;
- Usa-se casacos;
- Espera-se pela neve.

Com acento

Finalmente meu teclado foi corretamente manipulado e eis que surgem os acentos! Viva a Gisele.

New Yorker

Além de ser a revista que mais gosto de ler ultimamente aqui em NYC, acho que estou me tornando uma legítima New Yorker. As pessoas já me pedem informações na rua, indicações sobre melhores restaurantes e sobre qual metrô pegar. Acho que já não tenho mais aquela cara de turista. Para ter absoluta certeza de que o mal "cara de turista" me abandonou de vez, tenho que fazer o teste da Times Square. Isso significa: caminhar pela disputada calçada do miolo de Manhattan e sair imune aos entregadores de papelzinhos, folders, convites para participar de uma sessão de hipnotismo, vendedores e ativistas de qualquer espécie. Se a primeira tentativa falhar, precisarei apelar para os ingredientes básicos das verdadeiras New Yorkers: botas por cima da calça jeans, chapéu, cachecol bem estiloso, carregar duas bolsas e, claro, um Ipod.

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Já estou repensando o termo "verdadeiras New Yorkers". É que a cidade é tão plural que nem sei se deveria me arriscar a inventar esse personagem. Os verdadeiros New Yorkers - se existem - são o resultado da mistura de gente do mundo inteiro.

Sunday, November 13, 2005

Central Park

So para ficar registrado. Andei de patins na pista de gelo do Central Park. O cenario nao podia ser melhor. A lua, os predios iluminados, o clima frio, a musica, os sorrisos. Muito legal.

Cinquenta anos de aventuras

Acabei de ler o boletim semanal eletronico que recebo da revista Veja. Entre denuncias de corrupcao e o que parece ser a maior descoberta da ciencia, la embaixo, timidamente, na secao de Artes e Espetaculos, abre-se o sub-titulo "Livros". Claudio Moura e Castro, o "ensaista radical", assim descrito pela revista, narra seus cinquenta anos de aventuras pelo mundo. E o semanario arremata: "no livro está presente o prosador de sempre - preciso, natural e, via de regra, bem-humorado".

Tentei pegar um gancho com esse assunto de ter cinquenta anos de aventuras pelo mundo. Aqui estou eu, morando em Nova Iorque, colhendo informacao para as cronicas dos meus cinquenta anos de aventuras pelo mundo. Ja tenho uma meia duzia de historias. Acho que isso foi o que sempre sonhei, quando penso na historia que quero contar la na frente, para os meus netos.

E e com esse sonho de poder contar essas historias, daqui a 27 anos, que me conforto todos os dias quando o questionamento inevitavel vem a cabeca: "o que estou fazendo aqui?". Ou quando a saudade bate forte: "quero minha familia"; "meus amigos se reuniram na ultima sexta-feira"; "quero o cafe com bolo da casa da vovo"; "um bate-papo inteligente na sorveteria Tuzzi".

Espero que todo esse esforco valha a pena!

Thursday, November 10, 2005

Achamos colchoes!

Diz a lenda que nos EUA e muito comum as pessoas jogarem coisas como geladeira, armario, cama, semi-novos, na rua. Isso deixou de ser uma lenda na ultima quinta-feira, 3 de novembro. Depois de esperar o Manfred (um dos meus "roomates") por quase 12 horas, quando supostamente iriamos comprar nossos colchoes - do contrario dormiriamos no chao na primeira noite - eu e a Gisele fomos abrir a porta para a proprietaria do apartamento. Avistamos dois colchoes, um de solteiro e um de casal, bem na frente da nossa casa, no outro lado da rua. Nos olhamos com uma cara de " so pode ser brincadeira" e perguntamos a proprietaria se poderiamos pegar os colchoes. " Sure!", ela disse.

Vai fazer uma semana que to curtindo meu colchao "novo".

Wireless

Depois de:

1) encher uma Cargo-Van com malas, mochilas, sacolas, armarios, tv, radio, comida, enfim, tralhas em geral;
2) dirigir de Jackson ate New York;
2) descarregar todas as tralhas em geral;

Qual e o proximo passo? Calma, nao e obvio assim nao. Simplesmente nao movemos uma palha de nossas bagagens ate termos certeza se na nossa casa tinhamos wireless. Uma vez descoberta a janela para o mundo, foi imposivel mesmo arrumar tudo aquilo que passamos tres dias empacotando.

Enfim, e muito moderno, temos wireless. E e de graca!

Ridgewood: o bairro que merece um post

A rua principal, Fresh Pond Road e uma gracinha, so nao ganha das transversais, onde estao as residencias. A nossa e a 60-55 na 68th Avenue. Um apartamento-casa, no qual uma familia vive no andar de cima e nos, Manfred, Gisele, Michel e eu, no primeiro andar. O ape e grande e muito estiloso.

O clima na minha rua remete aquilo a que estamos acostumados a ver em filmes: casinhas muito semelhantes, grudadas umas nas outras, com pequenas arvores e criancas brincando na calcada. As arvores nessa epoca do ano nos Estados Unidos sao um capitulo a parte. As folhas estao avermelhadas e dancam pelo chao. Muito bonito.

Em Ridgewood predominam os poloneses, alias, quando caminho na rua a unica lingua que nao escuto e ingles. Nao consigo encontrar um significado para os anuncios em restaurantes e bares, que numa mistura de letras esquisitas com simbolos que lembram numeros, dizem algo que so os polacos entendem. Ate meus vizinhos sao poloneses.

Temos tudo perto: supermercado, locadora de DVD, padaria, loja de bebida (importante!), lojinhas de 99 cents (mais importantes ainda, diferentes das do Brasil, essas lojas aqui sao o maximo!), restaurantes e bares.

E sem acento!

Depois de seis meses sem acessar uma internet decente, resolvi voltar a escrever no Blog, seguindo a dica do meu querido Gonzalo Pereira, que nao quer que eu acabe sendo "professora de ingles". Para isso devo fazer uma pequena contextualizacao:

- De 5 de Maio a 4 de novembro eu trabalhei no Six Flags Great Adventure, numa cidadezinha esquecida no meio do nada, Jackson, em New Jersey;
- Eu era Assistant Manager do Food Service no Great Character Cafe;
- Me visto era Q1, um tipo de visto cultural, mas que de cultural nao teve nada;
- A experiencia cultural veio mesmo de morar no housing que o parque mantem para os internacionais;
- Agora tenho amigos em quase todas as partes do mundo: Tailandia, Estados Unidos, Cingapura, Jamaica, Uzbequistao, Moldova, Bulgaria, Romenia, Servia, Taiwan, Polonia...

Bem, depois de muito dizer adeus aos meus amigos queridos e de prometer me corresponder com todos (ate agora esta funcionando), comecei a elaborar meus planos para "pos-Six Flags". A primeira ideia era zarpar rumo a Europa e estudar ingles em Londres. Mas por varias razoes, inclusive grana, essa ideia permanecera na gaveta por mais um tempo.

E ai que chego ao ponto em que estou hoje. Moro em New York e vou estudar ingles em Manhattan.

E as aventuras nao param por ai...

ps: foi cliche desenterrar a piadinha do Jo Soares "e sem acento"? Bom, pelo menos acho que todos entenderam. Meu computador e americano e nao tive capacidade de configurar o teclado.