Friday, December 23, 2005

Pollyanna

Acho que a única vantagem de ter caminhado as 100 quadras em Manhattan hoje foi poder contemplar as paisagens - seja o Central Park todo branquinho ou a arquitetura. É incrível como o antigo e o moderno se cruzam numa linda sintonia pela cidade toda.

Desvantagens:
- frio demais;
- minhas pernas estão doendo;
- frio;
- fiz um calo no dedão;
- frio;
- tô podre de cansada;
- frio;
- levei mais de três horas e meia para chegar ao meu destino;
- já mencionei o frio?

Visita do Brasil

Só para registrar, minha amiga Gabi veio me visitar aqui em NYC. ÊÊÊÊ!!!

Strike

Quando os metrôs de Nova Iorque anunciaram greve, na madrugada da última segunda-feira, os moradores da capital do mundo partiram para o "plano B". No nosso caso, o "plano B" era caminhar mais de uma hora até uma linha de trem que tem uma única parada em Manhattan, a Penn Station, na 34th St com a 7th Avenue.

Tive a sorte de só começar a trabalhar hoje, quinta, e de conseguir uma carona para chegar a Manhattan. É que as pessoas que têm carro estavam à caça de pessoas para atingir a lotação máxima do veículo. Só dessa maneira era possível seguir até a ilha. Ainda assim caminhei mais de 100 quadras para chegar ao meu trabalho, na 79th Street com a Amsterdam Avenue.

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Acho que não contei: trabalho de hostess num restaurante francês, Nice/Matan.

Saturday, December 10, 2005

DDONÊS

Recebi a notícia do meu amigo Evandro Duarte e achei muito curioso. Um cara chamado Fernando quer ser conhecido como a primeira pessoa do mundo a digitar um livro nessa nova linguagem apelidada de DDONÊS, utilizada para escrever mensagens em celular. Ele teve bom gosto na escolha do clássico do Machado de Assis, "Memórias Póstumas de Brás Cubas".

Devo confessar que tenho verdadeira angústia e agonia de ler as mensagens escritas em DDONÊS (creio que venha de "dedos"). Mas apóio a iniciativa do cara. No mínimo vanguardista.

Vai lá no blog dele: http://brascubas.moblog.vivo.com.br/v1/moblog.aspx.

Saiu na Forbes

Lista e as fortunas dos 15 personagens de ficção mais ricos:

1- Papai Noel - Infinita
2- Oliver "Daddy" Warbucks (de Annie, A Pequena Órfã) - US$ 27,3 bilhões
3- Riquinho, US$ 17 bilhões
4- Lex Luthor (de Super-Homem), US$ 10,1 bilhões
5- C. Montgomery Burns (de Os Simpsons), US$ 8,4 bilhões
6- Tio Patinhas, US$ 8,2 bilhões
7- Jed Clampett (de Família Buscapé), US$ 6,6 bilhões
8- Bruce Wayne (de Batman), US$ 6,5 bilhões
9- Thurston Howell III (de Ilha dos Birutas), US$ 5,7 bilhões
10 - Willy Wonka (de A Fantástica Fábrica de Chocolate), US$ 2,3 bilhões
11- Arthur Bach (de Arthur, o Milionário), US$ 2 bilhões
12- Ebenezer Scrooge (de Conto de Natal), US$ 1,7 bilhão
13- Lara Croft (de Tomb Rider), US$ 1 bilhão
14- Cruela Cruel (de 101 Dálmatas), US$ 1 bilhão
15- Lucius Malfoy (de Harry Potter), US$ 900 milhões

Wednesday, December 07, 2005

Let it snow!

Eram três horas da manhã quando meus roommates me acordam: está nevando! Parecíamos crianças, fomos para o jardim que temos na nossa casa e ficamos tirando fotos, jogando bolinhas, espiando da janela os carros na rua, todos branquinhos, cobertos pela neve.

É muito interessante contemplar os floquinhos caindo do céu, dá pra ver certinho o design de cada um. Muito bonito.

Tuesday, December 06, 2005

Tikka Masala

Um café super charmoso na 55th Street, entre a Quinta e a Avenida das Américas, em Manhattan. Estou trabalhando num Bistro Indiano (www.cafespice.com) e tive que aprender todos os pratos do menu. E fiz um teste, de dez páginas, para atestar meu conhecimento. Acho que pra quem nunca tinha nem provado a comida indiana (que aliás, é deliciosa) e que não fazia idéia de que "tikka" significa "pedaços", fui bem.

Meus colegas são, além de indianos (o dono, o gerente, o cozinheiro e um dos garçons), americanos, eslováquios e mexicanos. Mistura interessante, não?

Wednesday, November 30, 2005

Celcius

New York, 30 de novembro de 2005: 14 graus. E cadê o frio?

"Papo de Jardim"

Ouve, amiga. Crê nos poetas
Sê poeta, se quiser
Ou malabarista
Não te esqueças demim
Nem dos teus sonhos.
Juro tudo aquilo que lhe convém
Sonha de dia, dorme de noite
Sê feliz o tempo inteiro
Escreve de qualquer forma
Forma tuas idéias. Ri delas.
Desfaz laços mal feitos
Refaz teus caminhos, tuas ondas
Surfa, amiga. Mergulha n' água
Aprende com a humildade do mar
Você está cercada dele
Conversa com teus vizinhos
Deixa as crianças falarem
Perdoa, amiga. Perdoa-me
Se todos estes alarmes verbais
Não ter servirem para nada...

(Poesia escrita pelo meu amigo poeta, Evandro Duarte)

A coisa está russa!

Aqui nos Estados Unidos todos sempre se espantam, após perguntarem se sou russa ou polonesa, quando respondo: Sou brasileira!

Já fui confundida até mesmo pelos nativos. Uma legítima representante da ex-União Soviética, logo ao me ver, perguntou: "Você é russa?". Tá russo!

O dia em que conheci o Ministro Alemão

Não acordei muito animada. Pensei: "será mais um dia caminhando por Manhattan e recebendo 'nãos'". Eis que meu celular toca e me chamam para trabalhar num evento. Legal, me arrumei, comi alguma coisa, tudo a jato, e saí rumo ao metrô.

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Retrospectiva: numa das minhas tentativas de conseguir um emprego, mandei meu currículo para um restaurante de chefes alemães, que organizam eventos para o Consulado Alemão e etc. Na entrevista o cara de nome Von alguma coisa já notou meu sobrenome e acabamos conversando sobre a colonização alemã no Brasil. Minhas origens me ajudaram nessa!
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Cheguei no restaurante suada e super nervosa! Nunca tinha feito nada parecido com aquilo na minha vida. Arrumar mesa, organizar copos, enfim...Well, foi aí que comecei a conversar com uma senhora muito simpática, a senhora 'Mother', como ela me disse para chamá-la. Ela era mesmo a mãe de alguém, mãe do chefe de cozinha, o Von alguma coisa. Uma senhorinha muito sabida e lúcida. Ela virou pra mim e disse: "Olhe, estás tendo uma oportunidade muito interessante aqui hoje. Afinal, não é todos os dias que podemos conhecer um dos novos ministros da Alemanha". Nossa! Já comecei a achar tudo ali mais interessante.

Tudo estava pronto para a chegada do homem. Fotógrafos, todo mundo ansioso e dá-lhe suco de laranja! O mais engraçado é que as pessoas na recepção me pediam tudo em alemão..."sorry, english please!"...hehehe.

Tenho certeza de que o discurso do German Foreign Minister, Frank-Walter Steinmeier, foi muito interessante. Afinal todos bateram palmas no final, inclusive eu. E isso que só entendi três palavras, ditas por ele na língua de meus antepassados: "política, internacional e ministro".

Na terça-feira, 29 de novembro, Steinmeier conversou por mais de uma hora com a Secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, em Washington.

Sunday, November 27, 2005

Arte e Cultura

Metropolitam Museum of Art (www.metmuseum.org) Fifth Ave at 82nd Street
O museu é muito bonito (apesar de que na última vez que fui lá, a fachada estava em reforma e não deu pra ver muito por fora) e tem em sua coleção permanente mais de 6500 peças de arte. Vale mais de uma visita. Um lugar universal, no qual estão reunidas todas as categorias de arte.
Ponto alto: Vincent van Gogh: The Drawings (até 31 de dezembro de 2005)
Interessante: Prague, The Crown of Bohemia, 1347–1437 (até 6 de janeiro de 2006)
Curioso: The Perfect Medium: Photography and the Occult (também até 31 de dezembro de 2005)

American Museum of Natural History (www.amnh.org) Central Park West at 79th Street
No website do Museu eles descrevem o lugar como sendo, por mais de 125 anos, uma das mais importantes instituições de pesquisa e ciência com coleções e exibições que demonstram os milhões de anos de evolução da terra, do seu nascimento até os dias atuais. Um dia não será suficiente para contemplar todo o Museu.
Ponto Alto: Tudo é tão interessante que não consigo escolher apenas uma das áreas para sugestão. Até porque só fui lá uma vez e nao tive tempo de ver tudo. Gostei muito da seção em que estão descritas as diferentes nacionalidades, que mostra as roupas típicas e o meio em que vivem, gostei do imenso salão com todos os tipos de insetos, aranhas, pássaros, enfim, dos animais em tamanho real e da descrição das florestas.
Interessante: O Museu tem exibições especiais que englobam um "passeio" pelo espaço.
Curioso: O Brasil tem seu lugar no AMNH. Aparecem os índios e há informações sobre a Floresta Amazônica.

Ambos têm horários e dias nos quais a entrada é free. Vide site. E jornalistas entram de graça.

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Os próximos da minha lista são o MOMA (www.moma.org), Museum of Modern Art e o Guggenheim Museum (www.guggenheim.org).

O que se faz na Big Apple

- Caminha-se;
- Lê-se jornal;
- Ouve-se música;
- Come-se donuts, mufins e bagels;
- Bebe-se café e cerveja;
- Usa-se casacos;
- Espera-se pela neve.

Com acento

Finalmente meu teclado foi corretamente manipulado e eis que surgem os acentos! Viva a Gisele.

New Yorker

Além de ser a revista que mais gosto de ler ultimamente aqui em NYC, acho que estou me tornando uma legítima New Yorker. As pessoas já me pedem informações na rua, indicações sobre melhores restaurantes e sobre qual metrô pegar. Acho que já não tenho mais aquela cara de turista. Para ter absoluta certeza de que o mal "cara de turista" me abandonou de vez, tenho que fazer o teste da Times Square. Isso significa: caminhar pela disputada calçada do miolo de Manhattan e sair imune aos entregadores de papelzinhos, folders, convites para participar de uma sessão de hipnotismo, vendedores e ativistas de qualquer espécie. Se a primeira tentativa falhar, precisarei apelar para os ingredientes básicos das verdadeiras New Yorkers: botas por cima da calça jeans, chapéu, cachecol bem estiloso, carregar duas bolsas e, claro, um Ipod.

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Já estou repensando o termo "verdadeiras New Yorkers". É que a cidade é tão plural que nem sei se deveria me arriscar a inventar esse personagem. Os verdadeiros New Yorkers - se existem - são o resultado da mistura de gente do mundo inteiro.

Sunday, November 13, 2005

Central Park

So para ficar registrado. Andei de patins na pista de gelo do Central Park. O cenario nao podia ser melhor. A lua, os predios iluminados, o clima frio, a musica, os sorrisos. Muito legal.

Cinquenta anos de aventuras

Acabei de ler o boletim semanal eletronico que recebo da revista Veja. Entre denuncias de corrupcao e o que parece ser a maior descoberta da ciencia, la embaixo, timidamente, na secao de Artes e Espetaculos, abre-se o sub-titulo "Livros". Claudio Moura e Castro, o "ensaista radical", assim descrito pela revista, narra seus cinquenta anos de aventuras pelo mundo. E o semanario arremata: "no livro está presente o prosador de sempre - preciso, natural e, via de regra, bem-humorado".

Tentei pegar um gancho com esse assunto de ter cinquenta anos de aventuras pelo mundo. Aqui estou eu, morando em Nova Iorque, colhendo informacao para as cronicas dos meus cinquenta anos de aventuras pelo mundo. Ja tenho uma meia duzia de historias. Acho que isso foi o que sempre sonhei, quando penso na historia que quero contar la na frente, para os meus netos.

E e com esse sonho de poder contar essas historias, daqui a 27 anos, que me conforto todos os dias quando o questionamento inevitavel vem a cabeca: "o que estou fazendo aqui?". Ou quando a saudade bate forte: "quero minha familia"; "meus amigos se reuniram na ultima sexta-feira"; "quero o cafe com bolo da casa da vovo"; "um bate-papo inteligente na sorveteria Tuzzi".

Espero que todo esse esforco valha a pena!

Thursday, November 10, 2005

Achamos colchoes!

Diz a lenda que nos EUA e muito comum as pessoas jogarem coisas como geladeira, armario, cama, semi-novos, na rua. Isso deixou de ser uma lenda na ultima quinta-feira, 3 de novembro. Depois de esperar o Manfred (um dos meus "roomates") por quase 12 horas, quando supostamente iriamos comprar nossos colchoes - do contrario dormiriamos no chao na primeira noite - eu e a Gisele fomos abrir a porta para a proprietaria do apartamento. Avistamos dois colchoes, um de solteiro e um de casal, bem na frente da nossa casa, no outro lado da rua. Nos olhamos com uma cara de " so pode ser brincadeira" e perguntamos a proprietaria se poderiamos pegar os colchoes. " Sure!", ela disse.

Vai fazer uma semana que to curtindo meu colchao "novo".

Wireless

Depois de:

1) encher uma Cargo-Van com malas, mochilas, sacolas, armarios, tv, radio, comida, enfim, tralhas em geral;
2) dirigir de Jackson ate New York;
2) descarregar todas as tralhas em geral;

Qual e o proximo passo? Calma, nao e obvio assim nao. Simplesmente nao movemos uma palha de nossas bagagens ate termos certeza se na nossa casa tinhamos wireless. Uma vez descoberta a janela para o mundo, foi imposivel mesmo arrumar tudo aquilo que passamos tres dias empacotando.

Enfim, e muito moderno, temos wireless. E e de graca!

Ridgewood: o bairro que merece um post

A rua principal, Fresh Pond Road e uma gracinha, so nao ganha das transversais, onde estao as residencias. A nossa e a 60-55 na 68th Avenue. Um apartamento-casa, no qual uma familia vive no andar de cima e nos, Manfred, Gisele, Michel e eu, no primeiro andar. O ape e grande e muito estiloso.

O clima na minha rua remete aquilo a que estamos acostumados a ver em filmes: casinhas muito semelhantes, grudadas umas nas outras, com pequenas arvores e criancas brincando na calcada. As arvores nessa epoca do ano nos Estados Unidos sao um capitulo a parte. As folhas estao avermelhadas e dancam pelo chao. Muito bonito.

Em Ridgewood predominam os poloneses, alias, quando caminho na rua a unica lingua que nao escuto e ingles. Nao consigo encontrar um significado para os anuncios em restaurantes e bares, que numa mistura de letras esquisitas com simbolos que lembram numeros, dizem algo que so os polacos entendem. Ate meus vizinhos sao poloneses.

Temos tudo perto: supermercado, locadora de DVD, padaria, loja de bebida (importante!), lojinhas de 99 cents (mais importantes ainda, diferentes das do Brasil, essas lojas aqui sao o maximo!), restaurantes e bares.

E sem acento!

Depois de seis meses sem acessar uma internet decente, resolvi voltar a escrever no Blog, seguindo a dica do meu querido Gonzalo Pereira, que nao quer que eu acabe sendo "professora de ingles". Para isso devo fazer uma pequena contextualizacao:

- De 5 de Maio a 4 de novembro eu trabalhei no Six Flags Great Adventure, numa cidadezinha esquecida no meio do nada, Jackson, em New Jersey;
- Eu era Assistant Manager do Food Service no Great Character Cafe;
- Me visto era Q1, um tipo de visto cultural, mas que de cultural nao teve nada;
- A experiencia cultural veio mesmo de morar no housing que o parque mantem para os internacionais;
- Agora tenho amigos em quase todas as partes do mundo: Tailandia, Estados Unidos, Cingapura, Jamaica, Uzbequistao, Moldova, Bulgaria, Romenia, Servia, Taiwan, Polonia...

Bem, depois de muito dizer adeus aos meus amigos queridos e de prometer me corresponder com todos (ate agora esta funcionando), comecei a elaborar meus planos para "pos-Six Flags". A primeira ideia era zarpar rumo a Europa e estudar ingles em Londres. Mas por varias razoes, inclusive grana, essa ideia permanecera na gaveta por mais um tempo.

E ai que chego ao ponto em que estou hoje. Moro em New York e vou estudar ingles em Manhattan.

E as aventuras nao param por ai...

ps: foi cliche desenterrar a piadinha do Jo Soares "e sem acento"? Bom, pelo menos acho que todos entenderam. Meu computador e americano e nao tive capacidade de configurar o teclado.

Friday, April 15, 2005

Vida louca, vida

Só para atestar: a vida dá voltas...

Wednesday, April 13, 2005

Roubada divertida

Precisávamos buscar a Sofia, a cachorrinha da Fer, na casa da Aninha, que fica no Itacorubi. Só que não é permitido entrar em ônibus com animais. Tínhamos um pequeno problema. Da raça Yorkshire.

Fomos caminhando da casa da Ana até a UFSC, onde imaginávamos que seria mais fácil de conseguirmos uma carona. Antes tínhamos pedido carona na UDESC, mas concluímos que o pessoal que estuda na Universidade do Estado de Santa Catarina é muito mau-humorado.

Na UFSC, penamos no estacionamento na frente da biblioteca universitária. Fomos taxadas de marginais. Deu para perceber como as pessoas estão neuróticas com a questão da segurança. Ninguém nem abria o vidro para falar com a gente.

É aí que a gente percebe a importância de uma boa rede de relacionamentos. Vejo passar um velho amigo, o repórter Vandrei Bion. E ele nos salvou de caminhar 7 quilômetros. Definitivamente umas das roubadas mais divertidas da minha vida.

Reportagem policial

A polícia nunca foi minha editoria preferida. Mas agora consigo entender como alguns jornalistas adoram esse gênero. Sim, porque descrever um bom "lance" policial é coisa para profissionais. É só pensar na grande reportagem policial "A sangue frio" de Truman Capote. Genial.

Um jornalista nunca deixa de sê-lo. E foi por isso que eu a Fer brincamos de repórteres policiais por alguns minutos. Estávamos passando na Osmar Cunha, na segunda-feira 11.04, quando começou uma briga no Bar Ilhéu. Coisa feia. Voou garrafa, chute, soco e até banco (isso mesmo, bancos, daqueles altos, de bar).

Primeira atitude: pegar a câmera fotográfica que estava na bolsa e registrar tudo. Segunda atitude: ligar para a polícia. Terceira atitude: ouvir os populares. Afinal, a voz do povo é a voz de Deus.

A chegada da polícia foi digna de um filme de Hollywood. Com direito a derrapagens, sirenes e cavalinhos de pau. Detalhe: estiveram no local 7 viaturas e 15 policiais. Tudo isso para apartar uma briguinha de bar. Se acontecesse qualquer outra coisa na cidade naquele momento não teria policiais para acudir.

Enfim, os policiais levaram uns três homens para a delegacia e tudo se acalmou. E essa história não foi publicada em nenhum jornal nem as imagens passaram na televisão. Mas proporcionou muitas gargalhadas.

As novas aventuras de Cristina

Apesar de achar meio ridículo vir a esse espaço contar "causos" da minha vida, não posso deixá-lo desatualizado até ter novidades que realmente valham a pena ser publicadas. Como ando tendo dias agitados e divertidos, talvez essas memórias mereçam ficar gravadas na posteridade - ainda que eletronicamente.

Eu já tinha me esquecido de como é bom passar o dia com amigas, rindo e jogando conversa fora. De como é bom poder optar por ficar em casa dormindo bem numa sexta-feira, quando todo mundo quer sair. De como é bom beber cerveja e tocar violão da forma mais descompromissada do mundo. De como é bom sair para um café e um cineminha. De como é bom fazer esquenta na casa da amiga enquanto se espera a melhor hora de ir para uma night. De como é bom ficar nervosa esperando um telefonema. De como é bom não saber o que vai acontecer amanhã!

Friday, April 01, 2005

Mudanças

Estou num momento de muitas mudanças. Não sei se todas foram motivadas pela minha viagem que se aproxima, mas sei que muitas coisas mudaram. Me decepcionei com pessoas, conheci e passei a admirar ainda mais outras, enfim, parece que tudo deu um passo pra frente na minha vida. Encontrei essa poesia do Fernando Pessoa que me disse muita coisa. Lá vai.

"Sonhe com as estrelas, apenas sonhe, elas só podem brilhar no céu. Não tente deter o vento, ele precisa correr por toda parte, ele tem pressa de chegar, sabe-se lá aonde. As lágrimas? Não as seque, elas precisam correr na minha, na sua, em todas as faces. O sorriso! Esse, você deve segurar, não o deixe ir embora, agarre-o! Persiga um sonho, mas, não o deixe viver sozinho. Alimente a sua alma com amor, cure as suas feridas com carinho. Descubra-se todos os dias, deixe-se levar pelas vontades, mas, não enlouqueça por elas. Abasteça seu coração de fé, não a perca nunca. Alargue seu coração de esperanças, mas, não deixe que ele se afogue nelas. Se achar que precisa voltar, volte! Se perceber que precisa seguir, siga! Se estiver tudo errado, comece novamente. Se estiver tudo certo, continue. Se sentir saudades, mate-as. Se perder um amor, não se perca! Se o achar, segure-o! Circunda-se de rosas, ama, bebe e cala. O mais é nada". (Fernando Pessoa)

Tuesday, March 29, 2005

Momentos felizes

Recebi esse texto lindo do meu amigo Gonzalo Pereira. Se precisarem de ajuda no espanhol, gritem!

MOMENTOS FELICES de Gabriel Celaya


(De "De claro en claro", 1956)


Cuando llueve, y reviso mis papeles, y acabo
tirando todo al fuego: poemas incompletos,
pagarés no pagados, cartas de amigos muertos,
fotografías, besos guardados en un libro,
renuncio al peso muerto de mi terco pasado,
soy fúlgido, engrandezco justo en cuanto me niego,
y así atizo las llamas, y salto la fogata,
y apenas si comprendo lo que al hacerlo siento,
¿no es la felicidad lo que me exalta?

Cuando salgo a la calle silbando alegremente
--el pitillo en los labios, el alma disponible--
y les hablo a los niños o me voy con las nubes,
mayo apunta y la brisa lo va todo ensanchando,
las muchachas estrenan sus escotes, sus brazos
desnudos y morenos, sus ojos asombrados,
y ríen ni ellas saben por qué sobreabundando,
salpican de alegría que así tiembla reciente,
¿no es la felicidad lo que siente?

Cuando llega un amigo, la casa está vacía,
pero mi amada saca jamón, anchoas, queso,
aceitunas, percebes, dos botellas de blanco,
y yo asisto al milagro --sé que todo es fiado--,
y no quiero pensar si podremos pagarlo;
y cuando sin medida bebemos y charlamos,
y el amigo es dichoso, cree que somos dichosos,
y lo somos quizá burlando así a la muerte,
¿no es felicidad lo que trasciende?

Cuando me he despertado, permanezco tendido
con el balcón abierto. Y amanece: las aves
trinan su algarabía pagana lindamente:
y debo levantarme, pero no me levanto;
y veo, boca arriba, reflejada en el techo
la ondulación del mar y el iris de su nácar,
y sigo allí tendido, y nada importa nada,
¿no aniquilo así el tiempo? ¿No me salvo del miedo?
¿No es felicidad lo que amanece?

Cuando voy al mercado, miro los abridores
y, apretando los dientes, las redondas cerezas,
los higos rezumantes, las ciruelas caídas
del árbol de la vida, con pecado sin duda
pues que tanto me tientan. Y pregunto su precio,
regateo, consigo por fin una rebaja,
mas terminado el juego, pago el doble y es poco,
y abre la vendedora sus ojos asombrados,
¿no es la felicidad lo que allí brota?

Cuando puedo decir: el día ha terminado.
Y con el día digo su trajín, su comercio,
la busca del dinero, la lucha de los muertos.
Y cuando así cansado, manchado, llego a casa,
me siento en la penumbra y enchufo el tocadiscos,
y acuden Kachaturian, o Mozart, o Vivaldi,
y la música reina, vuelvo a sentirme limpio,
sencillamente limpio y, pese a todo, indemne,
¿no es la felicidad lo que me envuelve?

Cuando tras dar mil vueltas a mis preocupaciones,
me acuerdo de un amigo, voy a verle, me dice:
"Estaba justamente pensando en ir a verte."
Y hablamos largamente, no de mis sinsabores,
pues él, aunque quisiera, no podría ayudarme,
sino de cómo van las cosas en Jordania,
de un libro de Neruda, de su sastre, del viento,
y al marcharme me siento consolado y tranquilo,
¿no es la felicidad lo que me vence?

Abrir nuestras ventanas; sentir el aire nuevo;
pasar por un camino que huele a madreselvas;
beber con un amigo; charlar o bien callarse;
sentir que el sentimiento de los otros es nuestro;
mirarse en unos ojos que nos miran sin mancha,
¿no es esto ser feliz pese a la muerte?
Vencido y traicionado, ver casi con cinismo
que no pueden quitarme nada más y que aún vivo,
¿no es la felicidad que no se vende?

Monday, March 21, 2005

Primeira vez

Essa é minha primeira vez aqui. Ainda estou me acostumando com a nova linguagem e escolhendo a "linha editorial" desse blog. Afinal, a criação desse espaço tem um motivo especial: informar aos amigos - e a quem mais interessar possa - tudo o que se passa comigo nessa experiência de viajar para fora do Brasil. Ansiedade, saudade, dúvidas, tudo vem à tona, mas fiz minha escolha. Espero que tenha sido a correta. Outro dia escutei a Simone, a cantora, dizer uma frase que adotei: "Tudo o tempo todo".